Francisco Magalhães Ferreira, ou simplesmente Marcelo Ferreira é de Uruoca região norte do estado do Ceará. É poeta e repentista desde seus 16 anos, mas somente agora já com seus 35 é que veio produzir em escritos. Até então o poeta apenas participava das suas cantorias e seus diversos Festivais de Violeiro, dos quais sempre saiu entres os três melhores. No ultimo festival de Camocim, no 1º de maio Marcelo Ferreira e seu parceiro Maurício Dias dispararam em segundo lugar, ficando atrás apenas de uma dupla pernambucana, regionalmente ficou em primeiríssimo lugar.
Alega ele ser poeta apenas nas horas vagas, ou seja a noite, pois sua real profissão mesmo é a agricultura. Nesse cordel ele vem a unir as duas coisas que ele mais gosta de fazer, seu trabalho com a terra e seu passa tempo como poeta. A história que ele nos trás é de um encontro dele com o pai dos poetas saudoso Patativa do Assaré. Vejamos esse magnífico trabalho.
Fui dorme e sonhei com o poeta Patativa.
Autor: Francisco Magalhães Ferreira
(Poeta Marcelo Ferreira)
Busco na veia poética
Inspiração, energia
Na prática da ética
Trago o mundo em sintonia
Metrifico a trajetória
Rimando a cada história
Com o dom da poesia.
Convivo com a poesia
Nasci dotado com ela
No raiar de cada dia
Nova esperança revela
Com divulgações correta
Vivo igual muitos poetas
Que usufruíram dela.
Uma dessas noites foi ela
Numa hora intuitiva,
Dormi nas lembranças dela
Teve uma surpresa auditiva
No sono logo sonhei
E no sonho me deparei
Com o saudoso Patativa.
Me dizendo o Patativa
Com uma voz de eternidade
Com sua poesia viva
Me disse sinto “sordade”
Do meu Brasil, terra linda
E me perguntou se ainda
Tinha a tá desiguardade?
Eu respondi na verdade
O problema não se some
Por toda a humanidade
Desigual é o maior nome
Que me causa até tristeza,
Rico sobrando riqueza
E o pobre passando fome.
Disse o patativa a fome
Aqui no céu num se vê
Mardade, aqui num tem nome
Noticia ruim num se lê
E nem se cunrreça nim guerra
Marcelo e ai na terra
Tão guerreano proquê?
Poeta Marcelo Ferreira:
Posso dizer a você
Que agente aqui nem descobri
O petróleo é um por quê,
Quem manda é pais mais nobre
E além de outros fuxicos
Guerreiam os pais ricos
Pra tomar do que é mais pobre
Patativa do Assaré:
Me diga a vida do pobre
Miorou mais o pená?
Qui daqui ninguém discobre
Cumo as coisas vão por lá,
Pobre saiu da diária?
Me diga a reforma agrara
Deu terra pra trabaiá?
Marcelo Ferreira:
Patativa o ceará
É mesmo de fazer dó,
Cariri e Quixadá
É sempre uma macha só,
O pobre é sempre na peia
É sobre as terras aléia
É de pior pra pior.
Disse o Patativa dó
Eu vim sitir outro dia,
Quando aqui num chegou só
A arma de José Maria
Chorei seus ultimo suspiro
Pegou 19 tiros
Quem fez tanta covardia?
Marcelo Ferreira:
Só porque José Maria
Defendia a nossa gente
Dos agrotóxicos que poluía
Já tinha gente doente,
Das pulverizações dali
Da Chapada do Apodi
O mataram covardemente.
Patativa do Assaré:
E pruque é que tanta gente
Vém vê o selestiá
Uns morre ai na inchente,
Outros com câncer inlegá,
Vém cem e de vez em quando
Me diga o que ta matando
Todo esse pessoá?
Marcelo Ferreira:
O aquecimento global
Tem mudado a direção,
Desequilíbrio ambiental
Ressaca do mar tufão,
Tornados dão piruetas
Do sol as ultras violetas
Estão pra incendiar o chão.
Marcelo Ferreira:
Da grande poluição
O homem não está vendo,
Dos agrotóxicos e caminhão
Indústrias o homem é fazendo,
Por isso o novo milênio
Com pouco oxigênio
Tem muita gente morrendo.
Patativa do Assaré:
Agora estou entendendo,
O que está matando,
Vim cedo e num me arrependo
Que as coisas ai ta mudando,
Tá tudo ai perigoso
E nos cuidados dos idoso
Já tem alguém trabaiando?
Eu lhe respondi e quando
Idoso foi enchergado?
São cento e trinta papéis provando
Para ser aposentado.
Lazer nem teve e nem tem,
E nem o respeito também
É sempre discriminado.
Vi Patativa zangado,
Quando eu falei desse jeito,
Disse, depois de cansado
Tudo por ele já feito
Dispois de tanto infrento
mode ter o seu aposento
Ninguém quer dar o seus direito.
Patativa do Assaré:
E os menores já são aceito
Como fios do Cristão?
Quando eu vim faltava leito,
O lar, a roupa e o pão
Como ta alguém mudou?
Alguém daí ajudou?
Esta gente, sim ou não?
Marcelo Ferreira:
Se eu disser sim, em vez do não
Estou mentindo, é de mais!
Cresce a prostituição,
Pelas grandes capitais,
Trafico e sexo infantil
Estão invadindo o Brasil
E aumentando as marginais.
Me disse ele, inda mais
Criança fazendo amo!
Pelos meios sociais
Ou coisa que causa horror!
Criança é ouro em quilate
Em criança num se bate
Nem se quer com uma fulo.
Disse e cadê os professor,
Que num leva pra iscola?
Das capitá a interiô
Essa nova cruviola,
Que o menó disiprinado
Dispois de ser educado
Num fuma e nem chêra cola.
Marcelo Ferreira:
Patativa a nossa mola
Fundamental é querer,
Eu sonho com mais escola,
Pra classe baixa aprender
Peço aos chefe da nação,
Mas eles fazem questão
Dos pedidos esquecerem.
Patativa do Assaré:
E os governos do pudê
O que faz com Diêro?
Num se precupa nem vê
Essa gente em disispero?
Se meu isprito num erra,
O inferno está na terra
Dêche povo brasileiro.
Marcelo Ferreira:
Quando se fala em dinheiro
É só pra carro e avião;
Pra mansão no estrangeiro
Guardam pra tal de eleição
E a classe baixa se atrasa,
Na capital faz sua casa
Se quiser papelão.
Patativa do Assaré:
Já vi que ou vida de cão,
Patativa disse assim.
Quando eu vim ai do chão
As coisas já tavão ruim,
Se valê as preficias
Está sujeita a qualquer dia
Toda terra leva fim.
Marcelo Ferreira:
Mas patativa em fim,
Com prazer vou lhe falar
Que os plebiscitos assim,
Trabalham a se organizar
Os limites da propriedade
Pra baixa sociedade,
Ter terra pra trabalhar.
Patativa do Assaré:
Que Deus queira iluminar
O congresso nacioná,
Pra que queiram aprovar
Esse projeto legá,
Que o grito dos escruido
Desta vez seja ovido
Da sede à zona rurá.
Patativa do Assaré:
Me arresponda me diga cá
Sobre uns rotero que ovi
Que sou fenômeno culturá,
Com os cordé que iscrivi,
Do povo inda sou aceito?
E do sécru eu fui eleito?
Tudo depois que morri?
Marcelo Ferreira:
Pois foi Patativa, eu vi
São verdade esses roteiros,
Eu só bem não entendi
Teve que os estrangeiros
Tirar seus cordéis da lama,
E quando o Brasil viu a fama
Se acordaram os brasileiros.
Patativa do Assaré:
Nunca aprende os brasilêro
Sempre foram discuidado,
Iguá golerô franguero,
São sempre goleado,
Bem certo por linha torta
Brasileiro fecha as porta
Só dispois que tão robado.
Marcelo Ferreira:
Seus versos são recitados
No Brasil e no Ceará,
Ainda são estudados
Você foi e sempre será
Com seu vozeirão exemplar
Com seu cordel popular
Sua presença aqui está!
Patativa do Assaré:
Você Marcelo que está
Com viola e voz no peito,
Defenda o meu Ceará
Nosso povo insatisfeito
Sem terra, pão e moradia
Que eu tentei quando vivia
Mas morri nunca dei jeito.
Marcelo Ferreira:
Patativa tenho feito,
Preces a Deus pai dos pais,
Lutar por nosso direito
Temos que sermos iguais
A mudança não é veloz
Vou ser o seu porta-voz
Já que você não vem mais.
Marcelo Ferreira:
Naquele momento sagaz,
Acordei atordoado,
Pensando naquele sonho
No dialogo ali travado,
Conhecia que era verdade
Essa é a realidade,
Do povo do nosso estado.
Marcelo Ferreira:
Assim me vi obrigado
Continuar a lutar
Sou cantador, repentista
Roceiro do Ceará.
Quem quiser me conhecer
Venha ao amanhecer,
Antes de o sol apontar.

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